Trabalhando com lugares de memória em Curitiba -- Orientado pela Professora de História do CEP, Rosa do Carmo Lourenço Gianotto. 29/08/2014 - 17:20



HISTÓRIA, MEMÓRIA E IDENTIDADE


Trabalhando com os "Lugares de Memória" da cidade de Curitiba

Quem decide o que é memorável, quem decide o que é preservável? (Chauí)


A PRAÇA TIRADENTES COMO FONTE PATRIMONIAL

Assim como em anos anteriores, Estudantes das 1ª séries , turmas P, Q, R e S de 2014 desenvolveram um plano de estudos sobre a Praça Tiradentes em aulas de História, com o objetivo de uma aprendizagem mais significativa e o desenvolvimento de uma consciência histórica mais elaborada, a partir da história local e dos monumentos e sítios históricos da cidade de Curitiba.

A partir dos conteúdos iniciais definidos pela proposta Curricular do Ensino de História, do Colégio Estadual do Paraná - As fontes históricas e o patrimônio na Construção do conhecimento Histórico - os alunos escolheram a Praça Tiradentes para estudar que tipos de vestígios, ou seja, de passados estão presentes na mesma e que história eles nos contam.

Para isso estudaram textos sobre o que são os documentos ou fontes históricas, o patrimônio histórico e algumas ideias críticas sobre os usos públicos desses passados imortalizados, como o conceito de lugares de memória e a história oficial.

Todos esses espaços guardam uma memória de diferentes tempos da História do Paraná, de Curitiba e também do Brasil. Segundo Le Goff (Historiador Francês), todo documento contém traços de monumento e todo monumento também é um documento. Entre um e outro, é interessante notar o grau de intencionalidade e a relação com o poder instituído: quanto maior a intenção de preservar determinada memória e quanto mais essa preservação depende das estruturas políticas, mais próximos estamos de um monumento; ao contrário, a casualidade e a espontaneidade dos registros não intencionais distanciam-nos de características de monumentalidade.

O monumento é uma herança do passado que objetiva a elaboração e a perpetuação de uma memória, e documentos são os registros definidos e escolhidos pelo historiador para a realização de suas pesquisas. E, por ser escolha do historiador, o documento deve passar pelas mesmas críticas de um monumento.

A história se torna oficial ao esconder e silenciar as outras narrativas dos acontecimentos passados e presentes, [...] afastando-se da memória social, já que silencia sua diversidade. [O perdedor, perde] não só o poder, mas também a visibilidade de suas ações, resistências e projetos. (Paoli)

Considerando os "lugares de memória" como espaços construídos e escolhidos com certo grau de intencionalidade, escolhemos a Praça Tiradentes para desenvolvermos um trabalho de verificar que tipo de memórias encontram-se presentes, preservadas em formas de monumentos, bustos, pilastras, placas comemorativas e outros vestígios de passados que fazem referências à nossa História do Brasil, do Paraná e de Curitiba. Buscando refletir sobre os significados dessas memórias e, por que essas foram escolhidas, em que contexto histórico e social, e outras foram silenciadas? Que outras memórias poderiam estar presentes na Praça Tiradentes, tendo em vista o sentido que a mesma representa para a cidade de Curitiba e seus habitantes?

Roteiro:


Em sala de aula foram estudados textos sobre fontes, patrimônio e o conhecimento histórico.

Visita orientada ao local (com a professora e uma pedagoga), procurando fazer uma observação rigorosa de: esculturas, pilastras, colunas, arcos, púlpitos, painéis, placas comemorativas, tamanho em que ponto está localizado, visibilidade, destaques dentre outros.

Em uma ficha pré elaborada, foram anotados todos os pontos e monumentos observados, conforme sugestão da ficha.

Os jovens fizeram fotos e entrevistaram transeuntes sobre o significado da Praça para eles.

Em sala, foi pesquisado um histórico sobre o local escolhido e o contexto (Paraná/Brasil - governantes e o pensamento político, entre outros) em que foi construído.

Resultado:

O trabalho foi realizado em equipes e os resultados foram surpreendentes tanto para os estudantes como para a aprendizagem histórica.

Pudemos observar, pelas narrativas dos alunos, que a maioria não sabia que a Praça Tiradentes guarda tantos vestígios da História do Paraná, que os jovens e em especial os curitibanos não conhecem as histórias que contam os locais históricos e monumentos da cidade de Curitiba. Passamos todos os dias pelo mesmo local e muitas vezes não percebemos.

A partir desse trabalho, em contato com os monumentos da Praça Tiradentes e as fontes escritas e pictóricas utilizadas em sala de aula, ampliou-se o conhecimento sobre a origem e a história de nossa cidade.

Dentre outras ideias que os alunos puderam elaborar foi quanto ao nome da Praça, tendo em vista que inicialmente ela foi chamada de Largo da Matriz, depois largo D. Pedro II, com a passagem do Imperador por Curitiba em 1880, e finalmente Praça Tiradentes, após a proclamação da República.

Outra reflexão importante presente nas narrativas foi quanto ao nome atual da Praça. Apesar de trazer o monolito histórico que representa a fundação da Vila de Curitiba, em 29/03/1693, por parte dos primeiros moradores como Mateus Leme, Baltazar Carrasco dos Reis, e outros, e que no Colégio Estadual do Paraná temos o quadro do artista Teodoro de Bona sobre a lenda do cacique Tindiquera indicando o local onde deveria construir a igreja para abrigar a santa e dar origem a Vila de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais, a praça leva o nome de Tiradentes, que foi elevado à categoria de herói com a Proclamação da República e que o busto e nome têm a ver com o projeto de consolidar a república por parte dos governantes brasileiros, assim algumas narrativas dos alunos trazem o questionamento quanto ao nome e não fazer referências aos primeiros fundadores da vila de Curitiba e aos indígenas que habitavam esse local.


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