Semana da Consciência Negra promove debates e oficinas no CEP 01/12/2016 - 18:40

O Colégio Estadual do Paraná (CEP) promoveu, de 21 a 25 de novembro, a Semana da Consciência Negra, para apresentar as atividades organizadas e desenvolvidas pela equipe multidisciplinar formada por alunos, professores e agentes de todos os setores do Colégio. O objetivo da ação, segundo a professora de Filosofia Vilma Luzia Dolinki de Lima, é promover o debate em torno de questões raciais e demonstrar atividades que foram desenvolvidas no combate ao racismo e ao preconceito.

 

“Importante promover uma discussão sobre o mito da democracia racial e trabalhar a ancestralidade, problematizando a questão de se sentir orgulhoso ou não por ser afrodescendente”, disse.

 

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Em oficinas, foram discutidas questões sobre a estética e das relações sociais dos negros. A professora de dança e nutricionista, Ariane Cristina de Souza, trabalhou com os estudantes a relevância dos cuidados com os cabelos e o uso dos turbantes. “Falamos sobre estética, mas sempre valorizando a identidade e as raízes da ancestralidade africana”, disse.

Um dos convidados foi o ex-aluno do CEP Jonathan Bittencourte – que hoje é Cônsul da Tanzânia. Bitterncourte conversou com os estudantes e falou sobre as diferenças. “Acredito que a chave para a boa convivência está em saber respeitar a diversidade diante das diferentes crenças e valores que formam a riqueza cultural de uma nação”, afirmou.

Já o estudante de Ciências Sociais da UFPR, Djovanni Jonas França Marioto, também  convidado a palestrar para os estudantes, falou sobre as formas de minimizar o preconceito em uma sociedade que busca, segundo ele, por mais união e integração. “Devemos criar uma maior consciência sobre o papel dos negros na sociedade e do seu Ser Brasileiro”.

A ação contou também com o compartilhamento de experiências de professores do Colégio Estadual do Paraná que sempre estiveram engajados em atividades voltadas a promoção racial. A ex-professora (aposentada) do CEP, de Língua Portuguesa, Cristina de Souza, e o seu esposo, o também professor, de História e Filosofia do CEP, Jorge Ferreira de Souza, trouxeram aos alunos o relatório, elaborado por eles, que trata do levantamento de comunidades remanescentes quilombolas no Estado do Paraná.

O documento mostra que o Paraná também é um estado de negros. "É nosso papel ajudar os estudantes a reconhecer sua raça em seu Estado e, ao mesmo tempo, se reconhecerem culturalmente dentro do seu território”, explicou o professor. O relatório está disponibilizado na biblioteca do CEP para consultas.

O professor Dênis, de Filosofia, considera significativo compartilhar com os jovens estudantes a ideia de que os negros estabelecem fortes laços de família, formada a partir da consanguinidade da matriz africana. “Somos sim uma grande família e assim precisamos nos reconhecer para desencadear relações positivas”.

A professora Lea Lelia de Paiva, de Língua Portuguesa, encerrou a programação no último dia apresentando as relações contidas no livro “Mulheres de Cinza”, de Mia Couto. A obra literária trata do romance vivenciado pela personagem protagonista negra e um colonizador, em Moçambique. “É uma obra rica contada pela ótica dos próprios protagonistas e que busca valorizar a estética negra além dos valores culturais”, conta a professora.

Os estudantes também puderam compartilhar experiências e valores com ex-alunos que trouxeram grande contribuição para as oficinas. Kauane, ex-aluna do CEP e filha dos professores Jorge e Cristina, citados acima, conversou com os estudantes, compartilhando suas experiências sobre o preconceito nas escolas. Kauane ainda ajudou a tirar dúvidas dos colegas interessados em conhecer melhor sobre o funcionamento do sistema de cotas.

 

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