Profissionais para os quais o CEP foi FUNDAMENTAL 21/05/2008 - 09:32

Colégio Estadual do Paraná - Ensino Fundamental, Médio e Profissional Profissionais para os quais o CEP foi FUNDAMENTAL

align= center> Por Silmara Quintino Estaremos nas próximas semanas, apresentando para todos que acessam nosso site, uma série de entrevistas com profissionais de várias áreas que têm em comum o fato de terem cursado o Ensino Fundamental no CEP em diversas épocas. A primeira entrevistada da série foi Vanessa Moreira Cordeiro Coordenadora do Programa de Aquisição de Alimentos/Compra Direta do Paraná – Secretaria Estadual do Trabalho. Vanessa estudou no CEP de 1987 a 1993, onde cursou o Ensino Fundamental e posteriormente o Ensino Médio.
Vanessa Moreira Cordeiro - Secretaria Estadual do Trabalho Confira a entrevista: 1) Qual a primeira impressão que lhe causou um Colégio tão grande como o CEP? Vanessa: Foi de surpresa e encantamento pelo tamanho do Colégio e pela estrutura que ele possuía, principalmente uma biblioteca enorme e laboratórios separados de Física, Química e Biologia, coisas que não se viam nas escolas do bairro em que eu morava... Dentro da disciplina de Ciências nós tínhamos princípios de Química e de Física, e as aulas sobre o corpo humano eram dadas no laboratório de Biologia. 2)Qual era a melhor coisa que o CEP oferecia aos alunos na sua época de estudante? Vanessa: Além da biblioteca e dos laboratórios... era a piscina, era poder fazer como modalidade esportiva natação. Isso na minha cabeça era inimaginável pois eu não conhecia nenhum outro colégio público que oferecesse natação numa piscina olímpica. Também não tinha acesso a clubes então fazer natação no próprio colégio era muito especial. Desde a quinta série nós tínhamos aulas de natação duas vezes por semana no primeiro bimestre e no quarto bimestre, todo período desde o fundamental até o ensino médio que eu também cursei ali. No segundo e terceiro bimestres por conta do inverno nós tínhamos outras modalidades de esportes como atletismo, jogos em grupo etc. 3)Você lembra de algum professor(a) que por algum motivo tenha sido marcante na sua época de estudante? Vanessa: Eu lembro muito de um professor de português chamado Bonni. Era meu professor na quinta série e mais uns dois anos. Ele era um professor que incentivava muito a leitura. Toda a sexta-feira ele levava caixas com livros para a sala de aula e tinha aula de leitura. E nós líamos, eu lembro que ele sempre nos orientava como ler, como fazer uma ficha de leitura, o que prestar atenção no livro. E isso me acompanha até hoje, cada vez que eu pego um livro eu sei como identificar, eu leio pensando no que se trata. Isso foi muito importante para mim. 4)Você lembra de um fato marcante ocorrido durante o Ensino Fundamental? Vanessa: Lembro de vários fatos marcantes... inclusive de uma vez acho que na quinta série que estava fazendo uma prova de história e na época história era uma disciplina muito...chata, aquela coisa de decorar nomes e decorar datas, ler o capítulo responder as questões e decorar tudo para a prova. Eu tinha aulas com um professor chamado Vanderlei e ... eu fiz uma “cola” para a prova. E no meio da prova ele percebeu que eu estava colando e foi chegando perto, chegando perto, vindo em minha direção e aí eu acabei tendo que comer a cola literalmente para não ser pega, fiquei tão desesperada que engoli a cola. Isso foi muito marcante!! 5)Qual foi o significado que teve em sua vida estudar no CEP num período tão marcante como é a 1ª parte da adolescência? Vanessa: Na época em que eu estudava, a gente não tem consciência do que era estudar lá, da oportunidade que eu estava tendo. Hoje, até por conta da minha formação é que eu consigo olhar para trás e saber identificar a oportunidade que eu tive estudando num colégio com a estrutura do Colégio Estadual do Paraná, com o tipo de orientação e de aulas que a instituição oferece. Então , isso é algo que vai me acompanhar a vida toda. É algo que ninguém me tira. 6)Você lembra de quais eram suas aspirações de estudante naquela época? Vanessa: Naquela época, 5ª, 6ª, 7ª, 8ª série, durante todo o ensino fundamental para mim era muito longe imaginar o que eu seria quando eu crescesse. O máximo que eu tinha como aspiração era que, minha mãe é professora e eu tinha muita vontade de me tornar professora e voltar para dar aula no Colégio Estadual do Paraná, mas não sabia nem professora de que, pensava apenas em poder voltar ao CEP como professora. Entrar pelo portão principal, para meu carro naquele estacionamento e dar aula no colégio, poder entrar na sala dos professores (que a gente era proibido de entrar), andar no elevador, escrever coisas secretas sobre os alunos nos livros de chamada, essas coisas de professor... 7)Ter cursado o fundamental no CEP teve algum impacto na escolha de sua profissão? Vanessa: Não diretamente, porque eu me tornei socióloga e na época nem se ouvia falar em Sociologia. Nesse sentido não, o que teve de impacto foi o fato de eu ter estudado por um período tão longo no CEP, ter tido uma formação tão boa que me permitiu passar no vestibular da UFPR direto sem fazer cursinho, assim que saí do Ensino Médio. Disso eu tenho clareza. Eu nunca fiz cursinho mas eu sabia como estudar matemática, tinha bons livros na biblioteca onde eu treinava fora do horário de aulas, muitas coisas que aprendi nos laboratórios eu nunca esqueci, sabia como ler de maneira eficaz, escrevia relativamente bem. Enfim, ali eu tive muitas coisas que não teria numa escola do meu bairro. 8)Como você vê o retorno do Ensino Fundamental ao CEP? Vanessa: Eu vejo como algo muito importante, porque eu considero um desperdício você ter uma estrutura como a do CEP e não utilizar. A sensação que eu tenho é de que é diferente a utilização da estrutura do Colégio por um aluno de Ensino Médio que permanece por apenas 3 anos e um aluno que permanece desde o fundamental. Tanto em termos culturais, como na área de esportes porque você está desenvolvendo um outro tipo de aluno, você está investindo no aluno. O aluno que fica apenas 3 anos no Colégio não cria vínculos com a instituição, diferente do aluno que fica 7 anos por exemplo. Sem contar o fato de que o aluno que vem do bairro para cá (que por sinal na minha época era maioria), ele vai ter além do conhecimento escolar (formal), uma outra visão de mundo. Ou melhor, uma “ampliação de mundo”. Porque ele vai aprender a se virar numa região central, tomar ônibus sozinho, conhecer novas coisas, novas pessoas, novos espaços culturais. Vai aprender a se portar, vai aprender outras regras e limites diferentes daqueles que existem em seu bairro onde ele já conhece as pessoas. Às vezes num colégio de bairro as regras são mais flexíveis, algumas faltas são relevadas porque a professora é amiga da mãe ou as famílias se conhecem. Aqui no CEP, não, aqui existe uma formalidade maior e o aluno vai ter acesso a outras formas de relacionamento. Vai utilizar a estrutura do colégio, vai aprender a utilizar outros espaços culturais da cidade. Enfim, é diferente a “construção” de um aluno de onze anos e de um aluno de 15 ou 16 anos. 09)E quanto à questão de ter no mesmo espaço escolar alunos de Ensino Médio e os mais novos do Ensino Fundamental, você considera que pela diferença de faixa etária tem algum problema ou algo que atrapalhe o desenvolvimento de uma criança pelo fato de ter que se relacionar com adolescentes maiores? Vanessa:Sempre há uma disputa. Como tudo na vida sempre terá pontos positivos e negativos. Como negativos eu penso numa possibilidade de acessar precocemente algumas informações sobre namoro, consumo de bebida alcóolica, de cigarros e outras drogas. Mas por outro lado penso que isso também é muito relativo até porque, é só no espaço escolar que ele estará sujeito a essa influência? É só ali que um adolescente mais velho vai ter acesso a ele? E num outro aspecto há quem pense ainda que o mais novo vai ter problema de identidade porque o mais velho vai desprezá-lo porque ele não “sabe nada”, é infantil , é um “bebê”, é “calouro”, enfim essas disputas próprias de faixa etária. Mas é só ali no CEP que ele vai enfrentar esse tipo de conflito? Isso é um mito! E nos outros colégios onde coexistem Ensino Fundamental e Ensino Médio? Em todo e qualquer lugar onde exista essa diferença de faixa etária, o aluno pré adolescente vai enfrentar isso aí, não importa se é no CEP ou se é Colégio do seu bairro.Então vamos ter que estabelecer a separação entre os dois níveis de ensino em todos os colégios do Paraná e do Brasil. Por que só no CEP não se pode juntar os dois níveis de ensino?