PARABÉNS AO CEP QUE TEM EM SUA HISTÓRIA, EDUCADORES COMO A PROFESSORA DAGMAR
22/08/2008 - 18:00

Colégio Estadual do Paraná – Ensino Fundamental, Médio e Profissional

align= center> PARABÉNS AO CEP QUE TEM EM SUA HISTÓRIA, EDUCADORES COMO A PROFESSORA DAGMAR Por Silmara Quintino O ano de 2008 é marcante para toda a comunidade escolar do CEP. Em 2008 comemoramos os 70 anos de vida e os 46 anos de magistério de uma de nossas mais queridas professoras de Língua Portuguesa: a professora DAGMAR LIMA BATHKE. Quarenta e seis anos é uma vida inteira dedicada à educação. Desses quarenta e seis anos, trinta e nove anos e sete meses são dedicados ao Colégio Estadual do Paraná. Por isso decidimos entrevistá-la para que nossos alunos conheçam um pouco da história daquela professora que eles costumavam encontrar no saguão do 3º andar, rodeada de estudantes que vinham com ela aprender a arte de bem escrever. A história da professora DAGMAR no CEP começa em agosto de 1962 quando ainda como estudante do Curso de Línguas Neolatinas, ela veio fazer uma substituição de 03 meses. Dali em diante, não deixou mais o magistério, passou por vários colégios estaduais como o Colégio Estadual Victor Ferreira do Amaral, Instituto de Educação, Colégio Lysímaco Ferreira da Costa, Pedro Macedo, Prieto Martinez entre outros. Em 1969 volta ao CEP como professora concursada. Segundo ela, nesses anos todos sua maior alegria foi o prazer e a emoção de poder ensinar, dar aulas para ela era importante como o ar que respirava. Não lembra que nesses quarenta e seis anos tenha tido alguma tristeza no magistério, embora tenha presenciado momentos difíceis que com o tempo foram contornados. Seu maior orgulho como educadora foi o de poder cumprir com o seu dever, não faltando nunca sem justificativa, não chegando atrasada, ou saindo antes de bater o sinal. Uma coisa emocionante em sua carreira foi trabalhar após a aposentadoria com o ensino fundamental. Era um projeto de leitura de livros e técnicas de redação. Nesse projeto, os alunos liam e precisavam se colocar como personagem no último capítulo do livro. “Você precisa ver o que as crianças inventavam quando elas entravam no final do livro, eu ria e me divertia como nunca na minha vida, lendo as redações daquelas crianças”, recorda ela. A professora Dagmar vem de uma tradição escolar muito rígida, estudou em colégio de freiras, com padres franciscanos e com professores alemães extremamente exigentes. Quando perguntei a ela se o magistério sempre foi um sonho seu, a resposta foi surpreendente. Quando ingressou no Curso Ginasial, num colégio tradicional de Lages, instituição religiosa de ensino, com princípios rígidos da época, mas inábil no tratamento pouco pedagógico dispensado aos educandos.Ambiente que marcou-a muito, foi reprovada numa segunda época em matemática, com a média de 4,6, faltando quatro décimos para a aprovação. Foi uma punição pessoal. A professora da matéria, com seus traumas, não dispunha de tratamento adequado no trato com as alunas e postura de uma verdadeira educadora, criando um clima hostil prejudicial. Por incrível que possa parecer, foi exatamente essa professora que despertou nela o desejo de seguir a verdadeira carreira do Magistério. Naquela época,ela decidiu que um dia seria uma cidadã maior e melhor, uma professora com curso superior, competente e dedicada aos jovens, bem como faria especialização na área pedagógica para poder ajudar os alunos no relacionamento com os professores, funcionários e direção. Possui o Curso de Pós Graduação em Orientação Educacional. A professora Dagmar tem os seguintes cursos e títulos superiores: Bacharel em Línguas Neolatinas, 1962; Licenciada em Línguas Neolatinas, 1963;Pós Graduação em Orientação Educacional, 1965; Bacharel em Jornalismo, 1968. Após a aposentadoria em 1990, foi convidada a voltar ao CEP com aulas extraordinárias. Em 1993 fez o terceiro concurso. Em setembro de 1996 tornou-se professora efetiva do CEP novamente. Na seqüência da entrevista fiz então o seguinte questionamento: “houve um tempo em que ser professora era uma profissão que assegurava um certo status a quem ingressava nessa carreira. A senhora acredita nisso? Nos dias atuais, ser professora ainda vale a pena? Garante status?” Ao que ela responde sem exitar: “ Vale a pena, sim senhora! Esse negócio de que houve um tempo em que ser professora era uma profissão que assegurava um certo status a quem ingressava nessa carreira, não é verdade." Naquela época, o nível social do magistério em geral, era outro, mas os professores vindos de várias facetas sociais constituiam uma elite intelectual preparada, de lideranças históricas, dedicação incansável, todos de postura irreprimível. Agora, ser recebidos em muitos estabelecimentos de ensino dirigidos por diretores conservadores, de cargos políticos, era outra coisa. No fim da década de sessenta foi uma luta dos professores pela valorização do cargo de professor licenciado por Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Havia muitos professores com concurso de suficiência, "nós que éramos licenciados a nível - 24, passamos a ter direito aos cargos, gerando a luta da greve de 1968 e a conquista do Estatuto do Magistério, a criação do Cargo de Professor Licenciado e os concursos públicos que exigiam o diploma de curso superior expedidos pela Universidade Federal do Paraná e pela PUC. A situação conservadora só vai mudar em setembro 1969 quando o professor Osni Dacol foi nomeado através da lista tríplice. Em 1970 ele abriu as portas do Colégio sem discriminação para alunos, funcionários e professores. "Aqui só entrava para dar aula gente do agrado do diretor geral da época e não com uma regulamentação prevista em lei pela Secretaria de Educação". afirma ela. Nesses anos todos de magistério, mudou muita coisa. Passamos por várias reformas do ensino, mas eu não vejo que o processo de educação hoje esteja péssimo, eu acho que os professores estão fazendo um esforço, como os meus colegas em outras épocas difíceis, fizeram para incentivar o aluno a ter hábitos de estudo em casa, preparar boas aulas. Os professores continuam se esforçando para fazer de seus alunos cidadãos maiores e melhores. "Eu não acredito que o processo educacional esteja fracassando. O que está havendo são alguns impedimentos que estão surgindo durante o processo". Tanto os pais quanto os professores estão imbuídos das melhores intenções do mundo, o problema são as políticas lá de fora. O que é muito triste a meu ver, é quando os alunos não deixam o professor ministrar o saber. Mesmo quando o professor tem uma aula difícil, ele perde o sono de noite (porque eu fiz muito disso) prepara uma boa aula, mas às vezes os alunos não colaboram. No meu caso, eu sempre tinha um macinho de textos de reserva. Quando a aula não fluía como eu havia planejado, eu interrompia, tirava os textos e os colocava para ler e escrever. Eram vários textos bons para fazê-los pensar como: Mudar para estudar (que ensinava métodos de estudo); Sem medo de escrever; Quem não lê não escreve, entre outros que agora não lembro. O professor tem recursos, ele se preparou, passou por uma faculdade, ele continua se aperfeiçoando, ele precisa ter métodos para prender a atenção dos alunos, não pode deixar que os alunos tomem conta da sala, precisa seduzir para o tema. "Lembro de uma ocasião em que dei uma aula sobre Graciliano Ramos, e choquei a turma ao dizer que nós vivíamos sempre sob a égide do verbo submeter ". Utilizei o exemplo do personagem Fabiano que era um “bronco” e por isso era sempre enganado pelo patrão, tendo que se submeter. Assim, como todos na sociedade precisam submeter-se sejam alunos, sejam professores, sejam os diretores. Fiquei tão empolgada que quando terminou a aula, estava aquele silêncio, tinha uma mocinha sentada bem na minha frente - a Léia – que me disse: professora, a senhora sabe que vou ser professora de português? E foi mesmo, eu fui até à formatura dela. Daquela aula em diante, todo mundo iria ler Vidas Secas, São Bernardo, Angústia, os contos de Graciliano Ramos. Quem pensa que agora que se aposentou novamente, a professora Dagmar vai ficar em casa descansando, muito se engana. Seus planos de futuro já estão devidamente traçados. Atendendo a pedidos de amigos, escreverá um livro narrando sua experiência como professora no CEP. Afinal, foi uma experiência muito rica, pois como afirma a entrevistada, sua carreira iniciou num período de discriminação. Em seguida veio a democratização com o professor Osni Dacol que permaneceu no cargo por treze anos e sete meses e foi segundo ela, "um verdadeiro pai para professores e funcionários". Isso dá um livro. Mas esse não será o único livro. Pretende também escrever um livro sobre a trajetória de seu pai, Waldemar Bathke que foi um pioneiro em São Joaquim fundando o Roteiro das Neves. Além disso pretende continuar aperfeiçoando apostilas para curso de redação, sua grande paixão. Em meio a todos esses planos, a professora dá continuidade ao projeto de Redação, Práticas da Escrita aulas na biblioteca do CEP e duas vezes por semana faz curso de alemão no CELEM. Sem dúvida nenhuma, parar e descansar, felizmente, são coisas que nem passam pela cabeça da nossa incansável professora Dagmar. Para mim, que sou uma professora em início de carreira, entrevistar a professora Dagmar, foi uma aula e uma injeção de ânimo. CLIQUE AQUI PARA VISUALIZAR AS FOTOS.
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