Intercâmbio Cultural Brasil – Argentina 30/10/2008 - 20:30
Colégio Estadual do Paraná – Ensino Fundamental, Médio e Profissional
align= center> Intercâmbio Cultural Brasil – Argentina Por Silmara Quintino No período de 15/10 a 24/10 o CEP alojou cerca de 35 alunos e 04 professores da Província de Tucumán na Argentina. O grupo representava a Escuela Normal Superior em Lenguas Vivas “Juan Bautista Alberdi” que veio para o Brasil para desenvolver um projeto cultural chamado: O sujeito escolar como embaixador cultural, sob a orientação da professora María Luz Garzón professora de idioma estrangeiro modalidade Português. Os 35 alunos que vieram são estudantes de Nível Médio do Curso de Comunicação, Artes e Desenho. O intercâmbio incluiu além da participação dos alunos nas aulas do Colégio, o alojamento na casa que abrigava o Centro de Artes Guido Viaro e a visitação a pontos turísticos e de interesse cultural como o Museu de Arte Paranaense, o Observatório Astronômico, o Parque Estadual de Vila Velha,o Parque da Ciência Newton Freire Maia e a nossa linda Ilha do Mel entre outros. O intercâmbio foi uma proposta da disciplina de Língua Portuguesa da Escuela Juan Bautista Alberdi, como forma de ensinar o idioma da maneira mais prática possível, afinal a melhor maneira de se aprender um idioma estrangeiro é exercitando a fala. Porém não há melhor maneira de se apropriar do conhecimento de um idioma do que aprendê-lo dentro do seu contexto cultural. Foi uma excelente oportunidade para nossos alunos exercitarem seus conhecimentos do idioma espanhol, tomarem ciência de outra cultura aqui tão próxima de nós e ao mesmo tempo tão distante, se reconhecerem como latino-americanos, desconstruirem essa bobagem de que existe uma rixa “futebolesca natural” entre argentinos e brasileiros capaz de erguer entre nós uma barreira intransponível. O breve tempo de convivência foi o suficiente para o surgimento de amizades e namoros internacionais. No último dia do intercâmbio os argentinos nos presentearam com apresentações artistico-culturais de sua região. Vimos de tudo um pouco: museus, história, folclore, música, dança. Enfim, belíssimas apresentações produzidas pelos alunos que nos mostraram o quanto eles se orgulham de seu país, sua província em especial, sua cultura e de sua “Escuela”. Não sei se foi uma coincidência mas o fato é que a Escuela mais antiga e tradicional de Tucumán foi recebida pelo mais antigo e tradicional Colégio do Paraná. Essa foi a primeira iniciativa de integração cultural efetiva no CEP. Faz parte da política de integração cultural latino-americana proposta pelo governo do Estado do Paraná e pelo governo da Província de Tucumán. Esse é o tipo de integração em que acreditamos. Integração de cultura, de gente, de história e não apenas aquele tipo de integração econômica no qual um país sairá perdendo para que outro tenha a supremacia como era a proposta da (felizmente) extinta e ultrapassada ALCA que pela nossa luta, não saiu do papel. Amanhã fará uma semana que nossos “hermanos” foram embora e já estamos sentindo falta da sonoridade de sua fala que nos fez pensar: por que somos o único país da América –Latina que fala português e ainda não temos o espanhol ao invés do inglês como segundo idioma obrigatório nas escolas brasileiras? Será verdade que ainda continuamos de costas para o nosso continente e de frente para uma longínqua Europa? Temos muita semelhança geográfica, histórico e social e somos ainda separados pelo idioma. Isso me faz lembrar de uma música de um cantor chamado Belchior, bastante tocada nos anos 70 que diz que “por força do nosso destino, o tango argentino nos cai bem melhor que o blues”. Seria bom pensarmos nisso. Esperamos que este governo e os próximos que virão continuem e ampliem a política de integração latino-americana para que um dia quem sabe possamos caminhar livremente pelas Américas que não mais serão América do Norte, do Sul e Central, mas sim a tão sonhada Pátria Grande de Simón Bolívar e José Martí. Enquanto isso não acontece, ficamos com os versos de Yupanque cantados lindamente pela também tucumana Mercedes Sosa: “Y asi seguimos andando curtidos de soledad. Nos perdemos por el mundo, nos volveremos a encontrar...” Para visualizar o(s) arquivo(s) anexo(s) você precisa ter instalado em seu computador o Adobe® Reader®.

