Formação Continuada 22/02/2010 - 16:04

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Formação Continuada Por Silmara Quintino O mês de fevereiro iniciou a todo vapor para os trabalhadores da educação (professores, pedagogos e funcionários) do CEP. O retorno ao trabalho foi no dia 01/02 quando foram atribuídas as aulas para os professores QPM e no mesmo dia iniciou-se o planejamento do trabalho docente que seguiu por todo o dia 02/02. No dia 03/02 teve início a Formação Continuada propriamente dita com a apresentação do Vídeo Institucional que havia sido produzido pelas Coordenações de Suporte Pedagógico; do curso de Comunicação e Artes e pela Comunicação Social, para propiciar um conhecimento mais aprofundado do CEP aos pais dos alunos na ocasião da rematrícula. Entre professores, pedagogos, funcionários administrativos e de apoio estiveram reunidas no Auditório Bento Mossurunga cerca de 250 pessoas que participaram de palestras sobre Gestão do Patrimônio Público e Docência Investigativa proferidas pelas professoras Nádia Gaiofatto e Maria Auxiliadora Schmidt do Setor de Educação da UFPR e pelo professor Paulo César Medeiros, membro da comissão gestora do projeto Museu Guido Straube. Nos dias 03 e 04 de fevereiro os professores divididos em grupos multidisciplinares e coordenados pelas pedagogas, iniciaram o momento de estudo dos textos pré selecionados pela equipe pedagógica tendo em vista o aperfeiçoamento do trabalho docente através da discussão de temas relevantes para o processo educacional como Método, Metodologia e Avaliação. São momentos muito significativos estes em que o professor ocupa as carteiras dos alunos e assume o papel de aprendiz daquilo que ensina, repensando o seu fazer pedagógico debruçando-se sobre a teoria que orienta sua prática educativa. Não se trata do elogio à teorização, nem do desperdício de um tempo em que se poderia estar discutindo as questões práticas da escola na perspectiva de listar o que não temos para buscar soluções imediatas que nem sempre são de tão fácil solução quanto parecem. Não é isso. Sabemos da necessidade de buscarmos essas soluções e as buscamos o tempo todo. Porém como trabalhadores da educação não podemos apenas nos deter no que não temos. Precisamos buscar a partir do que temos minimizar os problemas. E se tratando do CEP, em termos estruturais e humanos temos muito se nos compararmos a outras instituições que são o mesmo que somos : escola pública. Voltando à questão do ato de estudar, entendemos que não existe oposição entre teoria e prática. Toda prática é orientada por uma teoria e toda teoria nasce de uma necessidade prática que com certeza será teorizada, é, pois, um ciclo. O que ocorre é que muitas vezes por falhas em nossa formação acadêmica que privilegia o conteúdo específico do curso em detrimento dos conteúdos da licenciatura imprescindíveis à formação do professor, saímos das universidades sem conseguir fazer uma relação direta entre teoria e prática. Isso nos dá a falsa impressão de que uma coisa nada tem a ver com a outra, ou na melhor das hipóteses encontram-se em relação assimétrica na qual a importância maior é atribuída à prática. Quando deixamos de lado o preconceito contra a teoria podemos entender que ela pode ser uma importante ferramenta de reflexão crítica sobre nossa prática e como disse Paulo Freire “é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática”. E temos certeza que esse é o objetivo de todos os professores do Colégio Estadual do Paraná que participaram desta etapa da formação continuada. No primeiro momento estudamos o texto Método e Metodologia: Implicações na Prática Docente, de Mônica Ribeiro da Silva e Joaquim Gonçalves da Costa, texto que foi elaborado para subsidiar as discussões durante um dos encontros do PDE em 2008. O objetivo do texto era diferenciar método de metodologia, discutir a função social da escola numa perspectiva marxista e abordar ainda o trabalho docente e o planejamento do ensino numa perspectiva crítica de educação e a escolha do mesmo se deu em função dele fornecer embasamento teórico para as discussões nos grupos de trabalho multidisciplinares. Igual relevância teve o texto escolhido para as discussões da manhã seguinte: O Que é Mesmo o Ato de Avaliar a Aprendizagem, de Cipriano Carlos Luckesi. A contribuição deste autor se deu em função do mesmo apresentar algumas características do processo avaliativo que por vezes nos escapam no decorrer do processo ensino-aprendizagem. Todos precisamos avaliar durante o processo pedagógico e por vezes isso se torna angustiante posto que buscamos sempre fazer o melhor, mantermos o rigor metodológico, sermos justos, mas assim mesmo perdemos de vista o que é essencial: diferenciar a avaliação da aprendizagem, dos exames que têm como função classificar, selecionar os melhores e excluir os demais. A avaliação é inclusiva, dinâmica e construtiva, acolhe e não marginaliza aquele que está sendo avaliado, porque não julga previamente. Neste texto fica muito clara a importância da escolha do referencial teórico que norteará nossa prática pedagógica. As discussões resultantes do estudo desses dois textos foram muito ricas e os textos cumpriram sua função de causar discussão e inquietação. Tudo o que põe à prova nossas verdades tem o aspecto positivo de nos levar a estudar mais para melhor argumentar em defesa dessas verdades ou de nos levar a admitir que possam existir outras verdades. Isso foi muito importante principalmente neste momento em que estamos frente a frente com uma mudança para nós que é o Ensino Médio Inovador organizado por Blocos de disciplinas e toda novidade assusta porque questiona aquilo que se afigura para nós como certeza, segurança porque já é conhecido, mesmo que não esteja mais dando certo, preferimos o que já conhecemos a ter que correr o risco do desconhecido, mesmo que ele possa vir a ser melhor do que o que temos como concreto. E aí mais uma vez citando Paulo Freire encerro este texto dizendo que “ensinar exige a convicção de que a mudança é possível”, difícil, por vezes dolorosa, mas possível.