Exposição de quadros pintados por alunos tem como base obra de Platão 30/06/2016 - 18:50
Uma instalação com quadros pintados pelos alunos, do Colégio Estadual do Paraná, é o resultado final do trabalho proposto pela disciplina de filosofia, coordenado pelo professor Márcio Pheper. Os quadros foram pintados a partir da leitura previa de textos baseados na obra “A República”, de Platão (Livro VII). O capítulo trata do “Mito da Caverna” e coloca o dualismo como questão ao mundo cercado pela ignorância e o preconceito.
“Buscamos pela superação ao estágio da ignorância. Esta foi uma forma de promover o interesse pela filosofia junto aos alunos, para que eles possam compreender a fragilidade dos argumentos do senso comum”, explica o professor Pheper.
Os trabalhos estão sendo exibidos em uma das áreas de acesso às escadas do colégio, ocupando os quatro pavimentos e tudo interligado por um emaranhado de fios. “Tudo cuidadosamente pensado para mostrar que as idéias estão interligadas e que podem alcançar a luz para a ruptura por meio da lógica”, afirma.
No local, há uma televisão permanentemente ligada e colocada de forma estratégica para significar a lógica proposta por Aristóteles. “Alí, buscamos representar a luz que rompe com a caverna para trazer racionalidade ao pensamento, que por sua vez provoca a passagem do senso comum ao senso crítico”, explica.
Segundo o professor, os trabalhos buscam garantir qualidade e quantidade, fatores que, para ele, são essenciais nas praticas dos alunos. “O objetivo pedagógico é dar acesso à leitura direcionada às grandes obras filosoficas, mas também permitir uma maior interiorização dos conceitos propostos por Sócrates, Platão e outros grandes filosofos”, garante.
Como resultado, mais de 200 telas foram criadas para a instalação e outros 15 trabalhos audiovisuais. Os problemas sociais, a manipulação midiática e as diferentes formas de preconceito e discriminação, como: racismo, homofobia e xenofobia, foram algumas das ideias colocadas nos trabalhos executados pelos alunos como forma de protesto ou de constatação da “caverna” contemporânea na qual estão inseridos.
“O trabalho nos deu a oportunidade de expor nossas idéias e de nos manifestar frente as imposições sociais”, disse a aluna Luana da Silva (1o.C). Ela optou por denunciar o padrão estético imposto pela sociedade. “Quis retratar a questão dos cabelos lisos ou cacheados para demonstrar que o que existe de mais importante não é o fator estético, mas sim a essência e os valores morais que cada pessoa traz dentro de si”, concluiu a aluna.


