Notícias

11/06/2018

Água encanada pela SANEPAR no Observatório Astronômico do CEP : uma conquista

O Observatório Astronômico Prof. Dr. Leonel Moro, pertencente ao complexo de Astronomia do Colégio Estadual do Paraná, está situado na área rural do município de Campo Magro – Paraná, a uma altitude de 1062 metros em relação ao nível do mar, ficando, portanto, cerca de 130 metros acima da altitude média de Curitiba e região, que é de 930 metros. Sua localização a menos de 20 km de Curitiba o torna o ponto mais alto nesse raio de distância da capital paranaense.

Desde a construção, dada a altitude em que necessariamente devem ser instalados os telescópios, de modo que disponham de um completo descortínio de horizonte, o abastecimento de água do local foi um grande problema a ser solucionado. Duas tentativas durante as obras, com perfurações que ultrapassaram os 100 metros de profundidade, não lograram êxito em chegar ao tão desejado lençol freático. Parecia até uma ironia, já que no pé do morro, onde fica o Observatório, está a bacia dos afluentes do rio Passaúna, que abastecem quase metade da população da grande Curitiba. Tonéis de 200 litros eram enchidos em fontes abundantes da região, e foi com essa água, transportada por caminhões, que a empreiteira que ousou construir o Observatório deu conta de concluir praticamente toda a obra.

Claro que o Observatório não poderia funcionar sem água, e a solução encontrada na época foi solicitar autorização a uma chácara vizinha, distante 1 km morro abaixo, com um desnível de 100 metros, para a perfuração de um poço tubulado profundo de 40 metros de profundidade. Era o que se podia fazer em meados dos anos noventa, numa região rural onde a tensão elétrica que chegava só era monofásica. Furado o poço e instalada uma bomba de 24 estágios, ela não só bombeava a água como a recalcava morro acima até um reservatório de 10000 litros construído junto ao Observatório. O acordo que permitiu a construção desse poço foi o de que a água também abastecesse a chácara do Sr. Odegal Manosso, dono da propriedade que concedeu a instalação.

De 1994, quando foi inaugurado o Observatório, até o ano de 2007, muitas foram as necessárias e indispensáveis intervenções e manutenções junto ao poço e a longa tubulação. Furtos de fiação elétrica, ligações clandestinas, acionamento da bomba furtivamente para limpeza de máquinas agrícolas, e conflito com moradores da região pelo uso da água resultaram em pelo menos três substituições de bombas e painéis elétricos ao longo desses anos. Por fim, em 2007, após um período de estiagem, o poço secou.

De 2007 a 2009, o então proprietário da chácara vizinha ao Observatório, no alto do morro e de abastadas posses, perfurou um poço tubulado profundo de 220 metros e cedeu, gratuitamente, a água ao Observatório. Por ser de favor, e para suprir primeiramente as necessidades básicas dos caseiros que moram no Observatório, as atividades didáticas que atendiam semanalmente dezenas de alunos foram restritas a parcas visitas mensais pela escassez de água no local.

Em 2009, após vários dias de intensas chuvas, o poço da chácara vizinha desabou, soterrando inclusive a bomba, que se perdeu. Não se teve mais outra saída, partiu-se para a situação emergencial de contratação de caminhões pipa para abastecer de água o Observatório, agora com uma situação ainda mais caótica, já que os caseiros tinham que economizar a água para que ela pudesse durar por um mês, já que havia um número fixo estimado de caminhões para atender o local durante o ano. Não foram poucas as vezes que, para lavar roupa e atividades que não necessitassem exclusivamente de água potável, os funcionários do Observatório se viram forçados a juntar água da chuva para limpezas.

Administrativamente, várias foram as iniciativas buscadas ao longo desse período de carestia de água para uma solução definitiva do problema. A primeira, ainda em 2007, foi a solicitação de um estudo de viabilidade de abastecimento pela SANEPAR. Naquela época, como não havia rede estendida no meio rural, as custas repassadas chegaram à impeditiva cifra de R$ 400.000,00, já que seria necessária a perfuração de um novo poço e a instalação de dois booster para vencer os dois morros para chegar com a rede de água até o Observatório. De 2009 em diante, pelo menos três processos licitatórios resultaram vazios, já que o desafio parecia ser muito grande ou de baixo retorno para as empresas de engenharia que não se inscreveram para solucionar esse problema. Doravante, ano após ano abastecendo o Observatório com caminhões pipa, por vezes, por desencontros administrativos, algumas vezes pelas épocas de férias escolares, as caras custas de compra de carga d’água do caminhão tiveram que ser cicotizados entre os funcionários do Observatório.

No ano de 2014, recebemos (confessamos que de início incrédulos) a visita de um técnico da SANEPAR, o Sr. Hudson Douglas da Costa, que nos garantiu que lutaria ao lado da equipe do Observatório para a instalação da água no local. Reuniões foram marcadas junto à Prefeitura de Campo Magro, Professores do Observatório e a Direção do Colégio Estadual do Paraná.

O Sr. Hudson atuou nessa demanda com uma equipe competente tecnicamente e igualmente comprometida com a causa: o Engenheiro Paulo Celso Teixeira Marini (Gerência URCTN), Engenheira Ana Paula Warmling (Coordenação de Operações), Engenheiro Rodrigo Garcia e o Técnico Mauro Stresser.

O desafio era muito grande, pois implicava em fazer uma extensão de rede da SANEPAR de mais de 3300 metros de extensão, na área rural de Campo Magro, ao longo do vale onde todas as propriedades dispõem, com abundância, de água de poços, fontes e nascentes. A empreitada só seria possível se houvesse pelo menos 21 adesões de proprietários às fichas de interesse de instalação da água da SANEPAR em suas casas. Nesse sentido, o Sr. Hudson foi um grande articulador, pois graças às reuniões na Prefeitura de Campo Magro com o Prefeito, Assessoria de Gabinete da Prefeitura, Direção do Colégio Estadual do Paraná e equipe de professores do Observatório, acordou-se que a Prefeitura de Campo Magro cederia as máquinas e os funcionários para instalação da tubulação, a SANEPAR arcaria com os materiais e o Colégio pagaria um valor que só seria possível e viável se houvesse também a adesão da população rural às ligações junto à SANEPAR.

Marcada a reunião no Observatório, num sábado à tarde de 2014, e feita a exposição de motivos junto à população pelo Assessor de Gabinete do Prefeito, o Sr. Hudson (SANEPAR), e pelo Prof. Amauri (Observatório), ao final da reunião, 13 fichas de adesão já estavam preenchidas.

Foi com alegria que, meses depois, as máquinas começaram a instalação do primeiro trecho de 2000 metros ao longo da estrada Antonio Manosso, que dá acesso ao Observatório. À medida que a valeta avançava, mais e mais fichas de solicitação de ligações apareceram. Ao final, mais de 40 ligações foram estabelecidas.

Faltava ainda mais uma difícil instalação: do booster pressurizador, que recalca e mantém a pressão da tubulação, para que fosse possível levar água morro acima até o Observatório. O trecho de 1300 metros constituía-se em mais um desafio, pois a velha tubulação do antigo poço seco da chácara do Sr. Odegal não poderia ser utilizada pelo moderno sistema pressurizado da SANEPAR. Mais um impasse.

Finalmente, graças à continuidade do processo que se iniciou na gestão anterior e teve sua conclusão na atual Gestão do Colégio Estadual do Paraná, temos a alegria e satisfação compartilhada de inaugurar, neste primeiro semestre de 2018, a instalação em definitivo da água tratada da SANEPAR no Observatório Astronômico Prof. Dr. Leonel Moro. Isso representará o retorno da regularidade das atividades de Ensino e Pesquisa da Astronomia voltadas à base da futura astronomia profissional paranaense que é praticada nesse espaço.

O CEP agradece à Equipe da Sanepar e à Administração da Prefeitura de Campo Magro por todos esforços empenhados para o alcance desta importante conquista.

“Água, talvez um recurso que só perca em importância para o ar que respiramos, tão essencial à vida que só existe vida, até onde sabemos, se é que existe alhures pelo Universo onde existir a água”

Fonte: OACEP

Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.